Sou uma mulher como qualquer outra que tem sonhos, se apaixona, gosta de viver um amor intensamente .....e que também já levou um "fora". Isso tem se tornado assunto corriqueiro nas rodas femininas: "Os homens definitivamente não querem nada com nada", "não têm atitude" ou "fogem de qualquer relação mais séria"..... Esse é o comentário geral. Mas ainda acho que o maior problema está em nós, mulheres inteligentes, bonitas, bem resolvidas profissional e financeiramente. Nós sabemos o tempo todo que eles não estão a fim da gente, mas fazemos de tudo para preservar a relação. Me dê um motivo para perder tempo com a pessoa errada, com alguém que simplesmente não quer saber de você? Nós mulheres temos uma imaginação invejável. Os homens são radicais e não constroem castelos...Nós não, somos capazes de arrumar qualquer desculpa para aquele telefonema que não foi dado, para aquele encontro que não aconteceu. Eu sei, porque também já fiquei plantada esperando. Não importa a idade que você tenha, se é casada, solteira, viúva ou separada. Certamente isso já aconteceu com você. Ou não? Quando o cara não está a fim de você ele deixa claro. E quando está, ele demonstra. Imagina se ele vai deixar de te ligar por qualquer motivo que seja, ou pior....te deixar sentada no sofá olhando fixamente para o telefone? Nunquinha. Um homem quando está verdadeiramente interessado se empenha, não se importa com o que os outros vão pensar ou comentar. Ele demonstra com atitudes. E fazem coisas lindas, se superam, demonstram com todo o coração. Eu costumo dizer que o homem não é complicado, ele sempre deixa claro seu interesse ou não. Nós é que damos sempre outra versão porque encarar a realidade dói, frusta e nos deixa de cama. Sim, vamos para a cama depois de um "fora". Com eles não. Podem até sofrer por uma desilusão, mas ainda conseguem sair para um bar e afogar as mágoas com os amigos. Porque homem é assim. Tenho uma amiga que diz preferir uma ressaca de tequila ao ter que escutar "você não é a mulher perfeita pra mim". Como se isso fosse a pior coisa para se falar e para se escutar. Não é. Melhor levar um "fora" e chorar três dias seguidos do que alimentar uma relação que só existe na sua cabeça e na minha cabeça. Tenho visto mulheres se empenharem tanto para o relacionamento dar certo que os homens quase não precisam fazer absolutamente nada. E quase sempre são relações nada gratificantes. Mesmo assim, a mulher tem a maior dificuldade do mundo para aceitar que aquele homem está mais preocupado com a variação do dólar do que em agradá-la com uma atitude simples como um telefonema carinhoso no meio do dia. Homens que não demonstram carinho, atenção, respeito, não estão a fim e na verdade só faltam gritar para a mulher entender. A gente prefere acreditar que ele não apareceu porque precisou levar a avó ao pronto-socorro, passar a noite com ela e esqueceu o celular em casa, do que encarar o fato de que se não telefonou foi porque não sentiu vontade. Todo mundo merece ser feliz. Mas enquanto nos envolvemos em relações que patinam o tempo todo, enquanto arrumamos mil desculpas para situações que nos frustam, a pessoa certa não aparece. Isso mesmo. Nós mulheres podemos arrumar todas as desculpas do mundo para aquele cara que vive cansado, que não tem tempo para sair com você, que recém separado não está preparado para se envolver novamente, para o telefonema que não aconteceu no final de semana. Mas não podemos arrumar desculpa para o nosso coração, porque ele é sincero, te revela a verdade o tempo todo. A gente sabe, mas não quer entender. Sabe como? Tenha a certeza de que no momento em que nós pararmos de inventar desculpas para aquela belezura, certamente ele desaparecerá das nossas vidas. Ainda bem. É preciso se libertar das amarras para conhecer novos horizontes. Aquele homem não é o único do mundo. E ficar sozinha um tempo muitas vezes é necessário. O homem ideal aparece na vida de um mulher no momento em que ela está com o pensamento voltado para qualquer outra coisa, menos para ele. O amor da sua vida surge quando não existe mais nenhum resquício de ansiedade no seu coração e quando tudo o que você precisa é se olhar no espelho e se achar a mulher mais bonita do planeta. A sua cara metade existe. E ela está aí em algum lugar desse mundo esperando te encontrar. Não desperdice tempo com alguém que não te valorize, isso é literalmente perda de tempo. E além do mais, use as armas que tem nas mãos: feeling, charme, beleza, inteligência, bom humor e acima de tudo auto-estima. E espere. Quando você menos esperar, acontece ....
6 de abril de 2011
Liberdade do amor.
Não me prendas !
Se assim fizer perderás o meu amor.
Meu amor é livre !
Então me surpreenda...
nunca me prenda!
Meu amor é livre, como o vento que em seus movimentos, sabe estar em todos os lugares.
Livre como a chuva que caí, o sol que brilha...
Como os pássaros, que a qualquer hora, voam pelo céu afora, sem destino e sem hora pra voltar.
Não me prendas ! Deixe-me voar !
Como os pássaros voarei em pensamento, sem esquecer-me de um só momento , que estive em seus braços.
Não me prendas !
Preso meu amor morrerá com o tempo,
E só nos restarás então a saudade...
Abra as janelas, as portas, me mostre caminhos...
Me dê de presente a felicidade de ser livre...
Assim me terás para sempre segura perto do seu coração.
O amor é livre... ele pode voar , voar...
Mas sempre volta.
Se assim fizer perderás o meu amor.
Meu amor é livre !
Então me surpreenda...
nunca me prenda!
Meu amor é livre, como o vento que em seus movimentos, sabe estar em todos os lugares.
Livre como a chuva que caí, o sol que brilha...
Como os pássaros, que a qualquer hora, voam pelo céu afora, sem destino e sem hora pra voltar.
Não me prendas ! Deixe-me voar !
Como os pássaros voarei em pensamento, sem esquecer-me de um só momento , que estive em seus braços.
Não me prendas !
Preso meu amor morrerá com o tempo,
E só nos restarás então a saudade...
Abra as janelas, as portas, me mostre caminhos...
Me dê de presente a felicidade de ser livre...
Assim me terás para sempre segura perto do seu coração.
O amor é livre... ele pode voar , voar...
Mas sempre volta.
ALMA CIGANA - Gypsy Alexandra Amaya Marquéz
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| Gypsy Alexandra Amaya Marquéz |
ALMA CIGANA
Eu nunca fiz segredo
que a minha alma é cigana
perambula pelo mundo
dança, canta, não engana.
Meu coração… esse já é português
tem sotaque e nostalgia lusitanos
das margens do Tejo ficou freguês
e fados vive cantando.
Enquanto ele canta fados
a alma toca castanholas
mas ambos se abraçam contentes
numa moda de viola.
No bolero são renitentes
não desprezam seu encanto
mas sonham noites e dias
com a magia do tango.
Ah! eu jamais trocaria…
minha alma ou coração
são livres como águias no céu
trapaceiam como irmãos.
Já estiveram na Grécia
também em Jerusalém
mas a pátria deles e minha
é a pátria que ninguém tem.
Mas falando em governantes
é saga que ninguém merece
por isso deixo minh’alma
fazer o que lhe apetece.
Ela vê a sua sorte
se assim o desejar
mas não lhe fala de morte
pois segue essa linear.
A minha sorte eu não sei
ver, eu nunca consegui
mesmo sendo tão cigana
não sei nem se eu já morri.
Se o meu amor foi na frente
se ainda espera por mim
tudo que eu sei e que eu canto
é só do que aqui vivi.
E da minha liberdade
que a prezo mais que tudo
pois cigana de verdade
não se prende nesse mundo!
Quem me conhece já sabe
gosto de vermelho forte
nas minhas saias rodadas
que dos dois lados tem cortes.
Pra facilitar a dança
nos volteios deslumbrantes
que me tomam nos meus sonhos
nos braços do meu amante.
Tenho uma rosa no peito
bem lá dentro tatuada
esteve nos meus cabelos
em outras vidas passadas.
Assim vou sendo feliz
do meu jeito tão singular
que pouca gente me entende
mas não lhes deixo de amar!
Poema-Cigano
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| Gypsy Alexandra Amaya Marquéz |
Nós, ciganos, temos uma só religião: a da liberdade
Em troca desta renunciamos à riqueza, ao poder, à ciência e à glória
Vivemos cada dia como se fosse o último
Quando se morre, deixa-se tudo: um miserável carroção como um grande império
E nós cremos que nesse momento é muito melhor ser cigano do que rei.
Nós não pensamos na morte. Não a tememos – eis tudo.
O nosso segredo está no gozar em cada dia as pequenas coisas que a vida nos oferece
e que os outros homens não sabem apreciar; uma manhã de sol, um banho na torrente, o contemplar de alguém que se ama
É difícil compreender estas coisas, eu sei
Nasce-se cigano.
Agrada-nos caminhar sob as estrelas.
Contam-se estranhas histórias sobre ciganos
Diz-se que lemos nas estrelas e que possuímos o filtro do amor
As pessoas não acreditam nas coisas que não sabem explicar-se
Nós, pelo contrário, não procuramos explicar as coisas em que acreditamos.
A nossa vida é uma vida simples, primitiva: basta-nos ter por tecto o céu, um fogo para nos aquecer e as nossas canções quando estamos tristes.
Em troca desta renunciamos à riqueza, ao poder, à ciência e à glória
Vivemos cada dia como se fosse o último
Quando se morre, deixa-se tudo: um miserável carroção como um grande império
E nós cremos que nesse momento é muito melhor ser cigano do que rei.
Nós não pensamos na morte. Não a tememos – eis tudo.
O nosso segredo está no gozar em cada dia as pequenas coisas que a vida nos oferece
e que os outros homens não sabem apreciar; uma manhã de sol, um banho na torrente, o contemplar de alguém que se ama
É difícil compreender estas coisas, eu sei
Nasce-se cigano.
Agrada-nos caminhar sob as estrelas.
Contam-se estranhas histórias sobre ciganos
Diz-se que lemos nas estrelas e que possuímos o filtro do amor
As pessoas não acreditam nas coisas que não sabem explicar-se
Nós, pelo contrário, não procuramos explicar as coisas em que acreditamos.
A nossa vida é uma vida simples, primitiva: basta-nos ter por tecto o céu, um fogo para nos aquecer e as nossas canções quando estamos tristes.
5 de abril de 2011
Dança Cigana em Volta da Fogueira
As festas ciganas possuem como representação do elemento fogo, a fogueira.
E a dança cigana pode ser executada em volta da fogueira, de forma mágica e envolvente.
O fogo é um elemento masculino, e deve ser acesa, sempre, por uma mulher.
Quando for dançar em volta da fogueira, lembre-se sempre de fazer uma saudação nos 04 lados, com as mãos juntas na frente do peito.
O fogo é um elemento masculino, e deve ser acesa, sempre, por uma mulher.
Quando for dançar em volta da fogueira, lembre-se sempre de fazer uma saudação nos 04 lados, com as mãos juntas na frente do peito.
É uma forma de respeito às divindades do fogo.
A dança começa sempre de joelhos. É perfeita para transmutar as energias e renovar o astral.
Despertando a Sedução
Um poderoso amuleto de fascinação amorosa foi recolhido da tradição árabe. Pegue um cílio de seu olho direito e pronuncie sobre ele o que você deseja (uma situação, nunca uma pessoa!). Envolva-o em lenço virgem e carregue-o no bolso ou na bolsa por uma semana. Isso aumentará seu poder sedutor.
4 de abril de 2011
BRASIL: HISTÓRIA DO POVO CIGANO
"A sobrevivência foi a realização mais duradoura, o grande evento, da história cigana. Por isso Angus Fraser, autor do melhor trabalho historiográfico sobre ciganos, escreve na primeira página de seu livro: "Quando se consideram as vicissitudes que eles (os ciganos) encontraram, porque a história a ser relatada agora será antes de tudo uma história daquilo que foi feito por outros para destruir a sua diversidade, deve-se concluir que a sua principal façanha foi a de ter sobrevivido (...)”.
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"A sobrevivência foi a realização mais duradoura, o grande evento, da história cigana. Por isso Angus Fraser, autor do melhor trabalho historiográfico sobre ciganos, escreve na primeira página de seu livro: "Quando se consideram as vicissitudes que eles (os ciganos) encontraram, porque a história a ser relatada agora será antes de tudo uma história daquilo que foi feito por outros para destruir a sua diversidade, deve-se concluir que a sua principal façanha foi a de ter sobrevivido (...)”.
Os Ciganos são chamados de "povos das estrelas" e dizem que apareceram há mais de 3.000 anos, ao Norte da Índia, na região de Gujaratna localizada margem direita do Rio Send. No primeiro milênio d.C., deixaram o país e se dividiram em dois ramos: o Pechen que atingiu a Europa através da Grécia; e o Beni que chegou até a Síria, o Egito e a Palestina. Existem vários clãs ciganos: o Kalê (da Península Ibérica); o Hoharano (da Turquia); o Matchuaiya (da Iugoslávia); o Moldovan (da Rússia) e o Kalderash (da Romênia).
Porém de acordo com a nossa Tradição, a teoria mais freqüente sobre a origem do Povo Cigano, é que após um período de adaptação neste planeta, os ciganos teriam surgido do interior da Terra e esperam que um dia possam regressar ao seu lar. Nada mais podemos revelar sobre isto, pois trata-se de um dos nossos "segredos" mais bem preservados. Preste atenção à nossa trajetória e use com sabedoria a sua imaginação
O grande lema do Povo Cigano é: "O Céu é meu teto; a Terra é minha pátria e a Liberdade é minha religião", traduzindo um espírito essencialmente nômade e livre dos condicionamentos das pessoas normais geralmente cerceadas pelos sistemas aos quais estão subjugadas.
Em sua maioria, os ciganos são artistas (de muitas artes, inclusive a circense); e exímios ferreiros, fabricando seus próprios utensílios domésticos, suas jóias e suas selas.
Os ciganos sempre levaram uma vida muito simples, fabricando tachos, consertando panelas, vendendo cavalos, (atualmente vendem carros); fazendo artesanato (principalmente em cobre - o metal nobre desse povo) e lendo as cartas ciganas para ver a "buena dicha" (boa sorte).
Os Ciganos são chamados de "povos das estrelas" e dizem que apareceram há mais de 3.000 anos, ao Norte da Índia, na região de Gujaratna localizada margem direita do Rio Send. No primeiro milênio d.C., deixaram o país e se dividiram em dois ramos: o Pechen que atingiu a Europa através da Grécia; e o Beni que chegou até a Síria, o Egito e a Palestina. Existem vários clãs ciganos: o Kalê (da Península Ibérica); o Hoharano (da Turquia); o Matchuaiya (da Iugoslávia); o Moldovan (da Rússia) e o Kalderash (da Romênia).
Porém de acordo com a nossa Tradição, a teoria mais freqüente sobre a origem do Povo Cigano, é que após um período de adaptação neste planeta, os ciganos teriam surgido do interior da Terra e esperam que um dia possam regressar ao seu lar. Nada mais podemos revelar sobre isto, pois trata-se de um dos nossos "segredos" mais bem preservados. Preste atenção à nossa trajetória e use com sabedoria a sua imaginação
O grande lema do Povo Cigano é: "O Céu é meu teto; a Terra é minha pátria e a Liberdade é minha religião", traduzindo um espírito essencialmente nômade e livre dos condicionamentos das pessoas normais geralmente cerceadas pelos sistemas aos quais estão subjugadas.
Em sua maioria, os ciganos são artistas (de muitas artes, inclusive a circense); e exímios ferreiros, fabricando seus próprios utensílios domésticos, suas jóias e suas selas.
Os ciganos sempre levaram uma vida muito simples, fabricando tachos, consertando panelas, vendendo cavalos, (atualmente vendem carros); fazendo artesanato (principalmente em cobre - o metal nobre desse povo) e lendo as cartas ciganas para ver a "buena dicha" (boa sorte).
Na verdade cigano que se preza, antes de ler a mão, lê os olhos das pessoas (os espelhos da alma) e tocam seus pulsos (para sentirem o nível de vibração energética) e só então é que interpretam as linhas das mãos. A prática da Quiromancia para o Povo Cigano não é um mero sistema de adivinhação, mas, acima de tudo um inteligente esquema de orientação sobre o corpo, a mente e o espírito; sobre a saúde e o destino.
O mais importante para o Povo Cigano é interagir com a Mãe Natureza respeitando seus ciclos naturais e sua força geradora e provedora.
Mitologicamente o Povo Cigano está ligado à Kalí - a deusa negra da mitologia hindu, associada a figura de Santa Sara, cujo mistério envolve o das "virgens negras", que na iconografia cristã representa a figura de Sara, a serva (de origem núbia) que teria acompanhado as três Marias: Jacobina, Salomé e Madalena, e, junto com José de Arimatéia fugido da Palestina numa pequena barca, transportando o Santo Graal (o cálice sagrado), que seria levado por elas para um mosteiro da antiga Bretanha. Diz o mito que a barca teria perdido o rumo durante o trajeto e atracado no porto de Camargue, às margens do Mediterrâneo, que por sua vez ficou conhecido como "Saintes Maries de La Mer", transformando-se desde então num local de grande concentração do Povo Cigano.
Santa Sara é comemorada e reverenciada todos os anos, nos dias 24 e 25 de maio, através de uma longa noite de vigília e oração, pelos ciganos espalhados no mundo inteiro, com candeias de velas azuis, flores e vestes coloridas; muita música e muita dança, cujo simbolismo religioso representa o processo de purificação e renovação da natureza e o eterno "retorno dos tempos".
O líder de cada grupo cigano, chama-se Barô/Gagú e é quem preside a Kris Romanis (Conselho de Sentença ou grande tribunal do povo rom) com suas próprias leis e códigos de ética e justiça, onde são resolvidas todas as contendas e esclarecidas todas as dúvidas entre os ciganos liderados pelos mais velhos. O mestre de cura (ou xamã cigano) é um Kakú (homem ou mulher) que possui dons de grande para-normalidade. Eles usam ervas, chás e toques curativos. Os ciganos geralmente se reúnem em tribos para festejar os ritos de passagem: o Nascimento, a Morte, o Casamento e os Aniversários; e acreditam na Reencarnação (mas não incorporam nenhum espírito ou entidade). Estão sempre reunidos nos campos, nas praias, nas feiras e nas praças.
Santa Sara é comemorada e reverenciada todos os anos, nos dias 24 e 25 de maio, através de uma longa noite de vigília e oração, pelos ciganos espalhados no mundo inteiro, com candeias de velas azuis, flores e vestes coloridas; muita música e muita dança, cujo simbolismo religioso representa o processo de purificação e renovação da natureza e o eterno "retorno dos tempos".
O líder de cada grupo cigano, chama-se Barô/Gagú e é quem preside a Kris Romanis (Conselho de Sentença ou grande tribunal do povo rom) com suas próprias leis e códigos de ética e justiça, onde são resolvidas todas as contendas e esclarecidas todas as dúvidas entre os ciganos liderados pelos mais velhos. O mestre de cura (ou xamã cigano) é um Kakú (homem ou mulher) que possui dons de grande para-normalidade. Eles usam ervas, chás e toques curativos. Os ciganos geralmente se reúnem em tribos para festejar os ritos de passagem: o Nascimento, a Morte, o Casamento e os Aniversários; e acreditam na Reencarnação (mas não incorporam nenhum espírito ou entidade). Estão sempre reunidos nos campos, nas praias, nas feiras e nas praças.
Os ciganos chegados em Andaluzia no séc. XV vieram do norte da Índia, da região do Sind (atual Paquistão), fugindo das guerras e dos invasores estrangeiros (inclusive de Tamerian, descendente de Gengis Khan). As tribos do Sind se mudaram para o Egito e depois para a Checoslováquia, Rússia, Hungria e Polônia, Balcãs e Itália, França e Espanha. Seus nomes se latinizaram (de Sindel para Miguel; de András para André; de Pamuel para Manuel, etc.). O primeiro documento data a entrada dos ciganos na Espanha em 1447. Esse grupo se chamava a si mesmo de "ruma calk" (que significa homem dos tempos) e falavam o Caló (um dialeto indiano oriundo da região do Maharata). Eles trouxeram a música, a dança, as palmas, as batidas dos pés e o ritmo quente do "flamenco", tanto que essa palavra vem do árabe "felco" (camponês) e "mengu" (fugitivo) e passou a ser sinônimo de "cigano andaluz" à partir do séc. XVIII.
Esse povo canta e dança tanto na alegria como na tristeza pois para o cigano a vida é uma festa e a natureza que o rodeia a mais bela e generosa anfitriã. Onde quer que estejam, os ciganos são logo reconhecidos por suas roupas e ornamentos, e, principalmente por seus hábitos ruidosos. São um povo cheio de energia e grande dose de passionalidade. São tão peculiares dentro do seu próprio código de ética; honra e justiça; senso, sentido e sentimento de liberdade que contagiam e incomodam qualquer sistema.
Porém, a comunidade cigana ama e respeita a natureza, os idosos e todos os membros do grupo educam as crianças de todos, dentro dos princípios e normas próprios de uma tradição puramente oral, cujos ensinamentos são passados de pai prá filho ou de mestre para discípulo, através das estórias contadas e das músicas tocadas em torno das fogueiras acesas e das barracas coloridas sempre montadas ao ar livre (mesmo no fundo do quintal das ricas mansões dos ciganos mais abastados).
CIGANOS NÃO ROUBAM CRIANCINHAS
As crianças ciganas normalmente só freqüentam até o 1o. Grau nas escolas dos gadjés (não-ciganos), para aprenderem apenas a escrever o próprio nome e fazer as quatro operações aritméticas. A maioria das crianças não vai à escola com receio do preconceito existente em relação a elas. Claro que com o acelerado processo de aculturação, um bom número de ciganos, disfarçadamente, estão freqüentando as universidades e até ocupando cargos de importância na vida pública do país. Alguns são médicos, dentistas, engenheiros, advogados; alguns tornam-se ministros e outros se tornaram até presidentes (Washington Luiz e Juscelino Kubitshek). Porém os de maior expressão na sociedade são artistas plásticos, comerciantes, joalheiros e músicos famosos.
Para o Povo Cigano, a Lua Cheia é o maior elo de ligação com o "sagrado", quando são realizados mensalmente os grandes festivais de consagração, imantação e reverenciação à grande "madrinha". A celebrações da Lua Cheia, acontecem todos os meses em torno das fogueiras acesas, do vinho e das comidas, com danças e orações. Também para os ciganos tudo na vida é "maktub" (está escrito nas estrelas), por isso são atentos observadores do céu e verdadeiros adoradores dos astros e dos sidéreos. Os ciganos praticam a Astrologia da Mãe Terra respeitando e festejando seus ciclos naturais, através dos quais desenvolvem poderes verdadeiramente mágicos.
Na culinária cigana são indispensáveis: o cravo, a canela, o louro, o manjericão, o gengibre, os frutos do mar, as frutas cítricas e as frutas secas, o vinho, o mel, as maçãs, as pêras, os damascos, as ameixas e as uvas que fazem parte inclusive dos segredos de uma cozinha deveras afrodisíaca. O punhal, o violino, o pandeiro, o leque, o xale, as medalhas e as fitas coloridas; o coral, o âmbar, o ônix, o abalone, a concha marinha (vieira), o hipocampo (cavalo-marinho), a coruja (mocho), o cavalo, o cachorro, o galo e o lobo são símbolos sagrados para o Povo Cigano. A verbena, a salvia, o ópio, o sândalo e algumas resinas extraídas das cascas das árvores sagradas, são ingredientes indispensáveis na manufatura caseira de incensos, velas e sais de banho, mesclados com essências de aromas inebriantes e simplesmente usados nas abluções do dia-a-dia, nos contatos sociais e comerciais, nos encontros amorosos e principalmente nos ritos iniciáticos, de uma forma sensível e absolutamente mágica, conferindo grandes poderes.
O grande símbolo geométrico do Povo Cigano é o Círculo Raiado (representando a roda da carroça que gira pelas estradas da vida) provando a não linearidade do tempo e do espaço; e o Pentagrama (estrela de 5 pontas) simbolizando o Homem Integral (de braços e pernas abetos) interagindo em perfeita harmonia com a plenitude da existência. O maior axioma do Povo Cigano diz simplesmente: "A sabedoria é como uma flor, de onde a abelha faz o mel e a aranha faz o veneno, cada uma de acordo com a sua própria natureza".
Para não enveredarmos num velho, carcomido e obsoleto discurso sociológico-político, e para não desgastarmos mais ainda a nossa salubridade cerebral, afirmamos que tudo o que acontece no Planeta, em termos de crise e transformação, afeta de perto o Povo Cigano (tão engajado com a natureza) e faz parte do cotidiano dessa minoria social que apesar do seu pouco grau de autonomia, tenta à duras penas preservar sua valiosa identidade e salvaguardar as peculiaridades de seus próprios conceitos de cidadania, em que pese os avanços tecnológicos, científicos e culturais; as mudanças de paradigmas e o glamouroso processo de globalização.
O Povo Cigano é também uma raça sofrida, discriminada, excluída do contexto sócio-político-econômico (mas nem por isso alienada). Essa raça perseguida por muitas "inquisições", levada aos campos de concentração e aos fornos crematórios da Alemanha Nazista (tanto quanto o povo judeu) continua existindo apesar de todas as expoliações e distorções. Desprovida de meios adequados de sobrevivência, descaracterizada pela modernidade de um falso intelectualismo proletário/urbano essa raça também está à caminho da própria extinção, mas estamos aqui exatamente para resgatar o que resta de sua memória ancestral, cultural e artística, usos e costumes, simbolismo e tradição.
Para mim, uma kalin (cigana kalon), descendente desse povo, essa é uma hora em que precisamos estar atentos e vigilantes para ouvirmos uma espécie de "chamado mítico" que a dura realidade planetária está nos fazendo, e, nos unirmos em corpo e espírito com as forças maiores que regem esse universo, deixando para os espertos, que se dizem "donos da terra", o alto preço de seus desmandos, desvarios e abuso de poder, nos concentrando, onde quer que estejamos, no verdadeiro sentido da valorização humana que perpassa por insondáveis mistérios divinos e praticando com honestidade de propósito os exercícios de espiritualidade e religiosidade que subjaz em cada um de nós, na busca de uma solução para um mundo melhor, sem esquecermos as práticas ecológicas para salvaguardar essa "nau de insensatos" chamada Terra, de seu próprio desastre (palavra que significa: desarmonia entre os astros).
Eu aprendi com meu Patriarca que os ciganos são "povos das estrelas" e para lá voltamos quando morremos ou quando houver necessidade de uma grande evacuação. Há milênios vimos cumprindo nossa missão neste Planeta, respeitando e reverenciando a Mãe Natureza, trocando e repassando conhecimento. No mais, deixaremos à critério da consciência de cada um o "por que ?" das abomináveis catástrofes (em sua maioria provocadas pela absoluta falta de respeito e conhecimento sobre a biodiversidade do planeta); e de comportamentos sociais e governamentais tão incongruentes com a própria inteligência humana, reduzindo a sensibilidade dos homens a um mero exercício da bio-pirataria para não perder o monopólio de um recurso genético, disfarçado na necessidade técnica e científica da bioprospecção, mesmo que no contexto histórico, essa atitude implique na extinção de toda a raça humana.
Deixaremos à critério de qualquer "gadjô" que se preze, o "complexo de culpa ancestral" pela destruição do solo, do ar, da água e das florestas, pois em vez de "progredir com a plena cooperação científica e tecnológica" (como diria o biólogo americano Tomas Lovejoy - especialista em florestas tropicais) o homem moderno destrói seu próprio habitat, não procurando seguir a coerência do argumento socio-antropológico que diz que "na sociedade de massas, o raciocínio individual precisa ganhar tons mais coletivos para exercer seu poder e provar sua competência, pressupondo uma melhor qualidade de vida e uma maior tranqüilidade planetária".
Sem precisarmos percorrer outra vez o desgastado raciocínio utópico do socialismo científico de Marx-Engels-Lênin-Stálin, necessitamos urgentemente pisar na superfície desse lindo "planeta água" (símbolo da emoção e da sensibilidade que preenche nossos corações) observando não só a violência praticada contra as minorias, como também os incríveis gestos de solidariedade humana mostrados via satélite ou pela Internet, na mesma velocidade da luz ou do pensamento humano, nessa era de virtualidade nem um pouco caracterizada pelas mais elementares virtudes.
Como não sou também nem um pouco virtuosa e acho que o limiar entre o sagrado e o profano é muito próximo, coloco em mim mesma a carapuça de parte dessa imensa culpa pela minha própria acomodação e omissão em alguns setores da vida, e, divido com todos os devedores planetários como eu, o ônus que pago por viver na Terra nos dias de hoje, embora continue achando que é um privilégio karmico poder ser descendente do Povo Cigano.
OBS.: Essa Palestra foi apresentada na íntegra na 7ª edição do "Encontro para a Nova Consciência", em Fevereiro de 1998, em Campina Grande-PB.
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"A sobrevivência foi a realização mais duradoura, o grande evento, da história cigana. Por isso Angus Fraser, autor do melhor trabalho historiográfico sobre ciganos, escreve na primeira página de seu livro: \"Quando se consideram as vicissitudes que eles (os ciganos) encontraram, porque a história a ser relatada agora será antes de tudo uma história daquilo que foi feito por outros para destruir a sua diversidade, deve-se concluir que a sua principal façanha foi a de ter sobrevivido (...)”.
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